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quarta-feira, 23 de abril de 2008

 

Presidente da Associação Paulista de Medicina encerra 2ª Semana de Discussão sobre Políticas Públicas organizada pela Seme

Terminou na última sexta-feira (18), a 2ª Semana para Discussão de Políticas Públicas em Indaiatuba. O evento, organizado pela Secretaria Municipal de Educação (Seme), foi encerrado no Centro Integrado de Apoio à Educação de Indaiatuba (Ciaei) com palestra do presidente da Associação Paulista de Medicina (APM), Jorge Carlos Machado Curi, que abordou o tema Saúde. A última noite do evento foi aberta pela enfermeira da Secretaria de Saúde (Sesau), Maria Elídia de Andrade Picarelli, que falou sobre as propostas elaboradas pelos município para melhorar a saúde das gestantes e combater doenças como Aids e malária; entre outras.

Entre as propostas apresentadas por Maria Elídia, estão temas como a implantação da Semana Municipal de Prevenção dos Defeitos do Tubo Neural, em parceria com a Ong Gabriel; a implementação da Casa de Parto de Indaiatuba, e de um Centro de Apoio e Atendimento Integral ao Adolescente. A palestra da enfermeira ainda falou da importância da elaboração e implantação do Centro de Controle de Zoonoses em Indaiatuba (CCZ) e da regulamentação e implantação de uma Comissão de Incentivo à Doação de Órgãos e Tecidos; além da implantação do Cartão Único de Saúde e das estratégias para criar o Projeto Saúde e Prevenção nas Escolas, voltado para alunos da Rede Municipal e Estadual de Educação.

Curi iniciou sua palestra lembrando também da importância de integrar Educação e Saúde. Ele elogiou alguns programas desenvolvidos na área de Saúde que são referências mundiais e o programa adotado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), criado para garantir saúde para todos, de forma integral e igualitária. “Temos programas excelentes, como a de doação de órgãos e ações que estão no papel, que muitos países mais desenvolvidos não possuem. O grande problema é como conseguir dinheiro para a Saúde no Brasil”, afirma.

Para o presidente da APM, todos sabem de crises envolvendo o controle da dengue, a dificuldade de acesso à saúde, as filas em Pronto Socorro ou a situação real de pacientes sendo socorridos em macas nos corredores dos hospitais. “E isto em Estados como São Paulo e Rio de Janeiro. Imagina o que acontece em locais mais distantes?”, questiona.

Para o palestrantes, a única saída é incrementar o SUS, o que só poderá ser feito com a ajuda da sociedade. “Saúde hoje no Brasil é um desafio de cidadania; se não conseguirmos mudar isso no País, não poderemos dizer que o Brasil está evoluindo em nenhuma outra área”, decreta.

Ações

Para Curi algumas ações devem ser imediatas, como o comprometimento do profissional da área de saúde, em benefício da população. “Precisamos de mais infra-estrutura, descentralizar a saúde, garantir financiamentos e gestão de recursos nesta área. O Brasil gasta R$1,00 por dia com a Saúde da sua população. Os Estados Unidos da América gastam R$ 34,00. É claro que não podemos nos comparar a um dos países mais avançados do mundo, mas o problema é que perdemos até para a Argentina, Chile, Peru ou a Colômbia quando o assunto é saúde”, relata.

Segundo Curi, o Brasil tem tentado trabalhar para implementar o setor, seja quando investe na formação de médicos e de outros profissionais da área; seja quando promove oportunidades de interagir com sindicatos, academias ou secretarias de saúde ou tenta parcerias com faculdades e universidades.

“Mas precisamos regulamentar a Emenda 29, que vai garantir uma fração do orçamento que deverá ser investida em Saúde, como hoje já acontece com a Educação. Aquilo que é da saúde tem que ser da saúde; tem que ficar para atendimento à saúde; não pode virar merenda escolar ou ser desviada para outros programas”, afirma.

Curi ainda defende um processo permanente de capacitação do profissional de saúde; planos de cargo e carreiras; maior interação com as universidades e implantação, de fato, da CBHPM (Classificação Brasileira Hierarquizada de Processos Médicos). “A CBHPM precisa ser implantada no SUS. Isto começou há uns cinco anos, mas o processo é lento e precisa ser agilizado para valorizar o profissional de saúde e incorporar processos já garantidos pela Agência Nacional de Saúde que hoje não são feitos, não pela dificuldade dos procedimentos, mas pelo valor pago ao profissional. Só assim vamos valorizar o trabalho do SUS e garantir o acesso de todos à saúde”.

Curi encerrou sua palestra lembrando que o Brasil está muito avançado em programas de saúde pública, inclusive reconhecidos internacionalmente. “Mas temos a necessidade de fazer com que eles cheguem a toda a população, de forma integral, segura e igualitária. Para isso há necessidade de mobilização social; da ação das entidades, instituições e dos profissionais; da ação de agentes como os Conselhos Municipais de Saúde; enfim, de todos os seguimentos da sociedade”.

 

 

[Por Fernando Loggar][12:49]


 

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